Conscendendum

Para que temê-lo, se já o vivenciamos...

Inferno

Um certo sábio definiu o inferno como: 'a condenação a uma repetição eterna'.

Seguindo essa linha, o inferno não deve ser temido, uma vez que os moldes funcionais da sociedade atual, nos força a repetir a mesma labuta incessante no dia a dia, sem dar-nos tempo para atividades criativas ou para a elevação do espírito. Ou seja, o inferno é aqui.

O ser espiritual, a fim de acelerar sua jornada evolutiva, deve dedicar seu tempo ao labor, em prol da sociedade na qual convive, mas não todo ele, caso contrário se torna escravo de uma rotina repetitiva eterna, na qual, ao fim de sua jornada encarnatória perceberá que nada viveu, nada progrediu, não passou de um escravo abúlico de uma sociedade viciada e primitiva onde apenas alguns poucos seres controladores, que não almejam nada mais do que as coisas materiais, realmente usufruiram de seu trabalho servil.

O homem não nasceu para estudar incessantemente, a fim de se graduar em uma determinada profissão para, ao final, se encabrestar em uma jornada de trabalho incessante imutável, que nada adicionará à sua bagagem espiritual.

O homem nasceu para progredir na senda, rumo à angelitude e, posteriormente aos reinos logoicos; nasceu para, além de laborar comedidamente, aprimorar seus dons criativos e artísticos. O universo não é feito de ciência e trabalho braçal infindável, o universo é feito de amor e de arte. Esses são os verdadeiros pilares logoicos.

Nem todos os mundos são como a nossa Terra atual. Os mais evoluídos estimulam o progresso intelectual, mas sobretudo o artístico e o criativo, embasados no verdadeiro amor universal.

A nossa sociedade foi escravizada propositalmente por uma elite materialista que, por meio de uma economia baseada estritamente no dinheiro e na exploração do próximo, incutiu-nos um desejo insaciável de sempre possuirmos mais e mais e de nunca descansarmos, de estarmos sempre preocupados com o desamparo próprio e de nossa família. Nesses moldes, surge o stress de nos sentirmos derrotistas por possuirmos menor quantidade de bens que nossos competidores, surge o stress de não termos meios de custear nossa saúde, na eventualidade de alguma doença, surge o medo de não conseguirmos nos sustentar na velhice, de não conseguirmos dar uma educação de qualidade para nossos filhos, de não os tornarmos aptos para sobreviverem nessa selva, etc.

Outro sábio nos disse: 'o que mais me impressiona na humanidade é o modo de vida atual, onde o homem perde a saúde trabalhando incessantemente para juntar dinheiro, depois gasta todo esse mesmo dinheiro para recuperar sua saúde. Vive como se fosse imortal e morre como se nunca tivesse vivido.'

Os verdadeiros valores foram abandonados por nossa sociedade. Para que temer o inferno se já nos encontramos agrilhoados a uma rotina interminável? para que receá-lo se já não conseguimos usufruir da verdadeira felicidade aqui mesmo? o stress já não nos envolveu por completo? já não conseguimos aproveitar o presente com medo do futuro e, em consequência, não vivenciamos nem o presente nem o futuro.

Nas sociedades avançadas extra-terrestres não existe o possuir o 10 ou o 1000, e sim o que evolui mais rapidamente e o que evolui mais lentamente. O cidadão escolhe a sua maneira de progredir. Materialmente, o estado prove toda a necessidade do indivíduo e elimina o stress da desassistência e do desamparo.

O indivíduo terráqueo, logo ao nascer, se vê irrevogavelmente engalfinhado pelas teias que regem sua sociedade defeituosa, sendo explorado pela mesma até o momento de sua morte. Qualquer tentativa de reação a esse esquema o torna um pária, um misantropo exótico.

Nascemos para ser felizes e para nos desenvolvermos espiritualmente. Desenvolver-se espiritualmente significa ser mais artista e menos cientista, ser mais simples como Diógenes ou São Francisco e perceber o universo infinito nas grandes e nas pequenas coisas, compreender que os infinitos multiversos devem a sua existência ao AMOR para, ao final, restar em nós apenas o que interessa: esse mesmo AMOR que nos deu origem.