O Complexo do Ego

Do Ego ao Eu Superior


Saudações aos fráteres e sórores da Conscendo,

A individualidade egóica é uma ilusão, isso é fato.

Dizemos que o animal tem uma "alma grupal", enquanto os humanos tem uma "alma individual". Isso é parcialmente correto, visto que, enquanto nós, humanos, possuímos um corpo mental causal próprio, único, individual, o corpo causal de um animal, um cachorro, por exemplo, anima 144 cachorrinhos, ao mesmo tempo, aqui no plano físico terreno.

É mais econômico e rápido, expandir a consciência de uma "alma causal" de um cãozinho, angariando a experiência conjunta de 144 individuozinhos, encarnados concomitantemente, do que por meio de apenas uma encarnação isolada. Quando o animalzinho desencarna, ele absorve as experiências encarnacionais de seus 143 irmãozinhos de alma, facilitando a sua transição futura para o reino hominal.

Apenas com o o intuito de elucidação, para os fráteres que não tem o devido conhecimento sobre o assunto, o indivíduo humano possui diversos corpos, que servem para que o Eu Superior Divino, possa se expressar e experienciar as dimensões mais grosseiras. Servem como links, como interfaces de acoplamento entre os planos mais etéreos, com os planos mais toscos. Na realidade, a diferença entre um corpo mais sublime e um mais grosseiro é que o último possui mais supressões, mais impedimentos às qualidades divinas do Eu Superior. Por exemplo, enquanto podemos nos comunicar telepaticamente e volitar (flutuar) livremente com um corpo astral da quarta dimensão, essas qualidades são suprimidas em um corpo da terceira dimensão. Por sua vez, um corpo mental da quinta dimensão pode criar livremente, apenas com a mente e com a vontade, qualquer tipo de estrutura concreta que desejar, sem restrições, como também tem a capacidade de se teletransportar para qualquer lugar, instantaneamente, coisa que o corpo da quarta dimensão não consegue, pois teve essas qualidades suprimidas.

Dos corpos inferiores, para os mais sublimes, possuímos os corpos físico (3D), astral (4D), mental (5D, que compreende os corpos mental concreto e mental causal), búdico (6D), nirvânico (7D), átmico ou monádico (8D), e o mahaparanirvânico (9D). Reparem que estamos nos referindo à dimensões e não à densidades, visto que são coisas distintas; para os fráteres que têm dúvidas à respeito, sugerimos que assistam o vídeo "Diferenças entre 3D e 5D - O que são as Matrizes 3D e 5D, Densidades e Dimensões".

Continuando, no plano físico do 3D somos um indivíduo somente, sentímo-nos separados das outras pessoas de nossa sociedade e as percebemos como entes distintos de nós mesmos.

O homem, a despeito de possuir um corpo causal único, em dimensões mais sutis do que o mental causal, é grupal também, como qualquer animalzinho. Repetimos, a individualidade é uma ilusão, como temos asseverado, uma vez que, em uma dimensão superior, no plano átmico ou monádico, onde reside nosso "Eu Superior", compartilhamos nossa consciência com mais 143 indivíduos. O que queremos dizer é que nossa "Alma Átmica", ou "Alma Monádica", ou o "Eu Superior", propriamente dito, anima 144 individualidades, simultaneamente, aqui "em baixo", no físico terreno.

Em um futuro, nós humanos, passaremos para um próximo estágio evolucional, onde adentraremos o reino angélico, ou o reino avatárico, com uma mônada individual, capaz de animar apenas um avatar no plano físico. Independentemente disso, em níveis superiores ao monádico, uma vez que a escada de Jacó é infinita, continuaremos grupais com mais 143 entidades angélicas (ou avatares) e assim, infinitamente. Isto posto, sempre seremos grupais em algum nível superior de existência e o "eu e o próximo" sempre será uma ilusão, porquanto os outros indivíduos, que percebemos distintos de nós, não passam de outro aspecto de nós mesmos.

O que existe nos degraus superiores da interminável escada de Jacó é Deus, que é Único e Inalcançável, dado que se situa, paradoxalmente, no fim de uma escada infinita. Dedutivamente, Deus somos nós mesmos, fractalizados, Sua expressão nos níveis existenciais mais grosseiros e, estamos presentes consciencialmente aqui, por nosso próprio desejo, na necessidade de expansão consciencial, de aprendizado, coisa que somente na limitação e na aparente dualidade é possível.

As doutrinas orientais, que estão um passo à frente das ocidentais, nos advertem constantemente que o ego é uma ilusão. O problema é que elas transformam a sensação egóica de individualidade em uma coisa a ser suprimida peremptoriamente, coisa que discordamos.

Uma coisa é saber que a individualidade egóica é uma ilusão, outra coisa é lutar contra a experiência que essa ilusão proporciona e perder preciosa oportunidade de aprendizado.

Se encontramo-nos encarnados temporariamente em um corpo físico 3D, não há porque lutar incessantemente contra o ego, como apregoa a maioria das doutrinas orientais, há que aproveitar o momento e, na dualidade, cooptar o que de útil fornecer a experiência.

O conhecimento é benéfico na senda, saber que o próximo não passa de outro aspecto de nós mesmos é proveitoso. Nem o mais néscio dos seres seria sobriamente capaz de ferir ou causar sofrimento a si próprio. Pois é assim que procedemos quando fazemos mal ao próximo.

Mas, ao nosso ver, não devemos criminalizar nossa individualidade, nem reprimí-la, como sugerem algumas ideologias orientais, uma vez que isso nos gera culpa e, consequentemente, karma. A individualidade egóica tem o seu porquê e não é inteligente desprezar a experiência que ela proporciona.

Um animal se individualiza, adquirindo um corpo causal único, quando uma de suas expressões se torna tão singular, tão diferente das 143 outras, a ponto de não ser mais capaz de reintegrar-se à sua alma grupal. Nesse ponto, um fragmento do corpo causal é separado do grupal e o animal se torna homem.

Similarmente, quando o homem, na sua pretensa individualidade da reencarnação física, se torna tão diferente dos demais 143 irmãos de alma, se torna tão mais sapiente e consciente, em um ponto ele será incapaz de regressar ao grupo monádico de origem, convertendo-se em um avatar, ou um "anjo", com uma mônada individual, não pertencendo mais ao reino dos homens. Mesmo assim, ele continuará a ser grupal, em um nível mais etéreo, e ainda dividirá um corpo mais sutil que o monádico, com mais 143 avatares. Isso sempre se repetirá nos degraus mais altos e infinitos da escada de Jacó.

Sinceros desejos de Ascensão
Conscendo Sodalitas