Sociedade Thule


A Sociedade Thule e o Nazismo


A 'Thule-Gesellschaft' (Sociedade Thule) foi fundada em 17 de agosto de 1918, por Rudolf von Sebottendorff. Ele tinha sido educado em ocultismo, misticismo islâmico, alquimia, rosacrucianismo e muito mais, na Turquia, onde também havia sido iniciado na Maçonaria.

Seu nome original era 'Studiengruppe für germanisches Altertum' (Grupo de Estudo para a Antiguidade Alemã). Nessa época, já disseminavam políticas anti-republicanas e propaganda anti-semita.

A movement to promote Thulian ideas among industrial workers and to offset Marxism, was formed in August 1918 - the Workers' Political Circle with Thulist Karl Harrer as chairman. Um movimento para promover idéias Thule, entre trabalhadores da indústria, no intuito de contrapor ao marxismo, foi criado em agosto de 1918, o 'Círculo Político dos Trabalhadores', tendo o Thulista Karl Harrer como presidente.

Daí surgiu o Partido dos Trabalhadores Alemães, o partido de Hitler, em 1919.

Um ano depois, o Partido dos Trabalhadores mudaria seu nome para Partido Nazista, sob a liderança de Adolf Hitler. Serbottendorff afirmou, "os membros da Thule foram as primeiras a se aliar a Hitler, como Rudolf Hess e Alfred Rosenberg."

A bandeira suástica, adoptada pelo Partido Nazista, foi criaçãa de um outro Thulista, o Dr Krohn.

A sociedade Thule é também conhecida por estar estreitamente relacionada com a sociedade secreta 'Germanenorden', que era ativa na Alemanha, no início do século 20. Em 1912, essa ordem era composta por vários ocultistas alemães proeminentes, tinha uma suástica como símbolo e uma estrutura hierárquica fraternal, similar à maçonaria. Ensinava aos seus iniciados, ideologias nacionalistas sobre a superioridade da raça nórdica, o anti-semitismo, bem como sobre oculto. Alguns dizem que o Deutsche Arbeiter-Partei (mais tarde o Partido Nazista), quando sob a liderança de Adolf Hitler, era uma frente política e, de fato, a organização refletiu muitas ideologias do partido, inclusive a suástica.

Com a vitória do Partido Nazista, a tradição oculta foi levada ao Terceiro Reich, principalmente pelas SS, por meio de seu chefe, Himmler, que era um ávido estudante do oculto. Um departamento SS, de pesquisa do ocultismo, o Ahnernerbe (Herança Ancestral), foi criado em 1935, sob o comando do coronel da SS, Wolfram von Sievers. A pesquisa oculta levou os pesquisadores SS a lugares tão distantes como o Tibete. Sievers teve a oração tântrica, o Bardo Thodol, lida sobre seu corpo, depois de sua execução em Nuremberg.

O nacional-socialismo e o Terceiro Reich representaram uma importante tentativa, dos altos adeptos do esoterismo, de voltar a estabelecer uma cultura baseada nas leis da natureza. Nada tão ambicioso tinha sido tentado, desde a fundação da República Americana pelos adeptos da maçonaria.

As crenças do círculo interior da Sociedade Thule eram:

Thule era uma ilha lendária, situada no extremo norte, similar a Atlântida, supostamente o centro de uma civilização perdida, altamente desenvolvida. Mas nem todos os segredos dessa civilização tinham sido completamente perdidos. Eles ainda existiam e estavam sendo protegidos por antigos seres, altamente inteligentes, os 'Mestres' ou a 'Fraternidade Branca' da Teosofia.

O verdadeiro iniciado pode estabelecer contato com esses seres por meio de rituais de magia. Esses 'Mestres' ou 'Antigos' alegadamente seriam capazes de dotar o iniciado com forças sobrenaturais, como também de energia. Com a ajuda dessa energia, a meta dos iniciados era criar uma raça ariana de super-homens, que iria exterminar todas as outras 'raças inferiores'.

Em 06 de abril de 1919, na Baviera, a ala esquerda dos socialistas e anarquistas proclamaram a República Soviética da Baviera. Os cérebros da revolução eram um grupo de escritores, que tinham pouca experiência em administração. A vida em Munique ficou caótica. As forças contra-revolucionárias, os brancos, composta por vários grupos de soldados da reserva, conhecido como "Frei Corps", equipados e financiados pela misteriosa Sociedade Thule, derrotaram a União Soviética da Baviera numa questão de semanas.

Muitos outros soldados da reserva esperaram a turbulência amainar, em barracas, Hitler estava entre eles. Hitler foi posteriormente enviado para participar de treinamentos anticomunistas e de cursos e seminários especiais da Universidade, que foram financiados pela administração Reichswehr e por doadores privados da Sociedade Thule.

Isso gerou uma nova atribuição para a divisão de inteligência do exército alemão do pós-guerra, a de se infiltrar nos grupos dirigentes, das classes trabalhadoras, enquanto os comunistas estavam fracos. Em uma noite de setembro de 1919, Hitler apareceu no Sternecker Beer Hall, onde membros e amigos do nascente Partido Alemão dos Trabalhadores, se reuniam. Ele discretamente ouviu a apresentação do engenheiro Gottfried Feder, um membro da Sociedade Thule, que falou sobre o controle judaico sobre o capital de empréstimo. Quando um dos outros membros do grupo incitou para que a Baviera rompesse com o resto da Alemanha, Hitler entrou em ação. Enquanto discursava, a platéia, atônita, apoiou todos os seus comentários agressivos. Após Hitler acabar sua arenga, o presidente e fundador do partido, Anton Drexler, imediatamente pediu que uma reunião ao comitê de direção do partido, tivesse lugar, poucos dias depois. Hitler foi convidado a integrar a comissão como sétimo membro, responsável pela publicidade e propaganda.

De volta para 1912, vários ocultistas alemães com inclinações radicais anti-semitas decidiram formar uma loja "mágica", que eles chamaram de 'Ordem dos Teutões'. Os principais fundadores foram Theodor Fritsch, o editor de um jornal anti-semita, Philipp Stauff, aluno do racista Guido Von List, e Hermann Pohl, o chanceler da Ordem. Pohl sairia da ordem, três anos depois, para fundar sua própria loja, a bizarra 'Ordem Teutônica Walvater do Santo Graal'. A Ordem dos Teutões foi organizada nos moldes da dos maçons livres ou dos Rosacruzes, com diferentes graus de iniciação, e apenas as pessoas que pudesse documentar que eram de pura ascendência "ariana" eram autorizadas a participar.

Em 1915, ao sair da 'Ordem dos Teutões', Pohl foi acompanhado por Rudolf Blauer, que possuía um passaporte turco e que praticava a meditação sufi. Ele também se interessava por astrologia e era um admirador de Lanz Von Liebenfels e Guido Von List, ambos patologicamente anti-semitas. Blauer atendia também pelo nome de Rudolf Freiherr Von Seboottendorf. Ele era muito rico, embora a origem de sua fortuna fosse desconhecida. Ele se tornaria o Grão-Mestre da Ordem e da Baviera, fundando a Sociedade de Thule, com a aprovação de Pohl, em 1918.

Após a revolução comunista bávara de 1918, a Sociedade Thule tornou-se um centro da subcultura contra-revolucionária. Uma rede de espionagem e de esconderijos de armas foram organizados. O quartos do Clube Thule tornaram-se um ninho de resistência à revolução e à República Soviética de Munique.

O jornalista Karl Harrer recebeu a tarefa de fundar um "círculo trabalhador" político. Ele percebeu que os trabalhadores rejeitariam qualquer programa que fosse apresentado a eles por um membro da conservadora classe privilegiada. Harrer sabia que o mecânico Anton Drexler, que estava trabalhando para as ferrovias, era um conhecido proletário machista e anti-semita. Tendo Drexler como presidente nominal, Harrer fundou o Partido Alemão dos Trabalhadores, em janeiro de 1919.

O Partido Alemão dos Trabalhadores era apenas uma das muitas associações fundadas e controladas pela Sociedade Thule. A Thule era a Mãe do Partido Socialista Alemão, liderado por Julius Streicher, e da direita radical, a Oberland Free Corps. Hitler se tornou a personalidade mais proeminente no partido. Ele causou a queda de Harrer, e deixou Drexler, o presidente nominal, à margem das decisões. Preencheu as posições chave do partido, com seus próprios amigos do exército e da Sociedade Thule. Durante o verão de 1920, por sua sugestão, o nome do partido foi trocado para Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores ou Partido Nazista. O novo nome foi destinado a atrair igualmente nacionalistas e proletários.

O novo nome exigia uma bandeira com um símbolo poderoso. Entre muitos projetos sob consideração, Hitler escolheu o sugerido pelo membro da Thule, Dr. Krohn: um pano vermelho com um círculo branco no centro contendo uma suástica negra.

Hitler queria incutir nos membros do Partido Alemão dos Trabalhadores, uma consciência de luta, de clima de guerra, mas Harrer e Drexler estavam hesitantes, em parte devido à situação financeira deplorável do partido. A Sociedade de Thule ainda não estava colaborando com muito dinheiro e ninguém parecia saber como construir um partido das massas. Hitler arranjou dois encontros públicos em cervejarias obscuras, e esboçou folhetos e cartazes, mas não houve nenhum avanço real.

Tudo isso mudou dramaticamente no final de 1919, quando Hitler se reuniu com Dietrich Eckart. A maioria dos biógrafos peca por ter subestimado a influência que Eckart exerceu sobre Hitler. Ele era um rico editor-chefe de um jornal anti-semita, chamado 'In Plain German'. Eckart era também um ocultista perseverante e um mestre da magia. Como um iniciado, Eckart pertencia ao círculo interno da Sociedade Thule, bem como de outras ordens esotéricas.

Sem sombra de dúvida, Eckart, que tinha sido alertado sobre Hitler,por outros Thulists, treinou-o em técnicas de auto-confiança, auto-projeção, oratória persuasiva, linguagem corporal e sofisma discursivo. Com essas ferramentas, em um curto período de tempo, ele foi capaz de transformar o obscuro partido dos trabalhadores em um movimento de massas. A oratória de Hitler era carregada de emoção, capaz de hipnotizar uma vasta audiência.

Não se deve subestimar a influência do ocultismo sobre Hitler. Sua posterior rejeição aos Maçons e aos movimentos esotéricos, como a Teosofia, ae Antrosofia, não significa necessariamente o contrário. Os círculos ocultistas têm sido usados, desde os tempos imemoriais, como centros de espionagem e de tráfico de influência. O aparato de espionagem de Hitler, sob Canaris e Heydrich, estava bem ciente disso, particularmente quando foi descoberto que a Grã-Bretanha, tinha dentro de sua agência de inteligência MI5, um sub-departamento, conhecido como a 'Secretaria do Oculto'. Quando essas fontes potenciais de problema foram expurgadas da vida nazista, isso não deve ser interpretado no sentido de que Hitler e as sociedades secretas nazistas, não foram grandemente influenciadas por vários escritores místicos e ocultos, tais como Madame Blavatsky, Houston Stewart Chamberlain, Guido Von List, Lanz Von Liebenfels, Rudolf Steiner, George Gurdjieff, Karl Haushofer e Theodor Fritsch. Embora Hitler, mais tarde, tenha denunciado e ridicularizado muitas delas, ele dedica seu livro "Mein Kampf" ao seu professor Dietrich Eckart.

Um visitante frequente da prisão de Landsberg, onde Hitler estava escrevendo Mein Kampf, com a ajuda de Rudolf Hess, era o General Karl Haushofer, um professor universitário e diretor do Instituto de Geopolítica de Munique. Haushofer, Hitler, Hess tiveram longas conversas juntos. Hess also kept records of these conversations. Hess também mantidos registros destas conversas. As ideias de Hitler, de expandir o territótio alemão para o leste, às custas das nações eslavas, foram baseadas nas teorias geopolíticas do erudito professor.

Haushofer também era inclinado para o esotérico. Como adido militar no Japão, ele tinha estudado zen-budismo e também tinha passado por iniciações nas mãos dos lamas tibetanos, tornando-se o segundo "mentor esotérico" de Hitler, substituindo Dietrich Eckart. Em Berlim, Haushofer tinha fundado a Loja Luminosa ou a Sociedade Vril. O objetivo da loja era explorar as origens da raça ariana e realizar exercícios de concentração, para despertar as forças do "Vril". Haushofer era um discípulo do mago russo e metafísico Gregor Ivanovich Gurdyev (George Gurdjieff).

Ambos, Gurdjeiff e Haushofer sustentavam que tinham contatos com ordens tibetanas secretas, que possuiam o segredo do 'super-homem'. Essa sociedade agregou Hitler, Alfred Rosenberg, Himmler, Goring e o médico pessoal de Hitler, Dr. Morell. É também sabido que Aleister Crowley e Gurdjieff tiveram contato com Hitler. Os poderes incomuns de sugestão de Hitlero tornar-se-ão mais compreensíveis, se tivermos em mente que ele teve acesso às técnicas psicológicas secretas das lojas esotéricas. Haushofer ensinou-lhe as técnicas de Gurdjieff, que, por sua vez, foram baseadas nos ensinamentos dos sufis e dos lamas tibetanos.

Na segunda metade do século XIX, descrições intrigantes sobre ensinamentos tibetanos, até então secretos, tinham sido transportado para o ocidente, por Helena Blavatsky, que alegava ter sido iniciada pelos Santos Lamas. Blavatsky ensinava que os Mestres e Chefes Secretos tinham a sua residência terrena na região do Himalaia.

Tão logo o movimento nazista teve fundos suficientes, começou a organizar uma série de expedições ao Tibete e estas se sucederam, praticamente sem interrupção, até 1943. Uma das expressões mais concretas, do interesse nazista no Tibete foi a adoção pelo Partido Nazista, do mais místico e poderoso dos seus símbolos, a suástica.

A suástica é um dos mais antigos símbolos da humanidade e, provavelmente, o mais amplamente difundido. É achada em fragmentos de cerâmica da Grécia, que datam do século VIII aC e foi também utilizada no antigo Egito, Índia e China. Os índios Navajo da América do Norte têm um padrão de suástica tradicional. Feiticeiros árabe-islâmicos a usavam. Em tempos mais recentes, foi incorporada às bandeiras de certos Estados Bálticos.

A idéia do uso da suástica, pelos nazistas veio de um dentista chamado Dr. Friedrich Krohn, que era um membro da ordem secreta 'Germanen'. Krohn modificou a forma original da suástica, invertendo-a, fazendo-a girar no sentido anti-horário. Essa modificação da suástica equivale a inverter a cruz para os cristãos.

A palavra sânscrita suástica significa boa sorte e bem-estar. Segundo a tradição cabalista e a teoria ocultista, a força caótica pode ser evocada por reversão do símbolo. E assim surgiu o símbolo da bandeira da Alemanha nazista e da insígnia do partido nazista, uma indicação para aqueles que tiveram olhos para ver, quanto à natureza oculta do Terceiro Reich.