Planeta Conscendo


• Cidades


(descrita por um habitante da Terra do futuro)


Os habitantes da Terra do passado podem pensar nas cidades da Terra do futuro, com um clichê futurístico, como comumente retratado no seu tempo, em livros e filmes de ficção, ou seja, com prédios altíssimos, de design estranho e com um trânsito hipercongestionado de naves voadoras.

O que foi escondido por muito tempo de nossos antepassados, foi o fato de que existem inúmeros espaços vazios sob a superfície da maioria dos planetas. Esses espaços imensos, são protegidos por espessas camadas rochosas, de vários quilômetros de espessura, que conferem segurança, a esses ambientes subterrâneos, das intempéries da superfície. O que a natureza não oferece, em termos de espaço ou de atmosfera salubre, é conseguido com o uso de nossos aparatos avançados. Apesar de o clima do planeta ser controlado por nossa tecnologia, existem situações extremas, que o universo nos oferece, nas quais uma evacuação para o subterrâneo é desejável.

Por isso mesmo, grande parte de nossas cidades e instalações de suporte se situa embaixo da superfície, e tem capacidade de abrigar toda a população planetária. Foram assim edificadas, com o fim de nos proteger das emissões radioativas ou outros eventos extremos da galáxia, ou mesmo para nos resguardarmos de civilizações hostis, no caso de alguma eventualidade desagradável.

Nós, habitantes da Terra do Futuro, primamos pela simplicidade. As cidades da superfície são modernas e dotadas de comodidades tecnológicas dignas de ficção, mas os prédios são baixos e harmoniosos e convivem lado a lado com a companhia de fartos bosques e jardins.

São urbes silenciosos, onde a maior parte do transporte se faz pelo subterrâneo. Nossos trens magnéticos, por sinal, são capazes de fazer viagens intercontinentais, a velocidades várias vezes superiores a do som. A superfície é destinada quase que exclusivamente aos pedestres. As poucas naves que, vez ou outra cruzam os céus, tratam de também respeitar essa quietude. Existem alguns aparelhos, espalhados por nossas cidades, que tem a capacidade de anular os barulhos desagradáveis. Só ouvimos, em realce, os sons da natureza, do vento e dos alegres passarinhos.

Controlamos o clima por meio de nossa tecnologia. Aqui não existem terremotos, maremotos, tsunamis, furações, ou qualquer tipo de fenômeno climático agressivo. Se o homem do passado houvesse dirigido os seus esforços para a paz e não para a guerra, a Terra já seria o que é hoje há milênios.

Aqui também não existe superpopulação. Os habitantes são distribuídos pelo globo de maneira equânime, distribuição essa, que se guia pelas preferências e pelos talentos individuais.