Conscendendum


• Terceira Dimensão


O plano físico, ou terceira dimensão é o mais grosseiro dos ambientes existenciais universais. Só nesse nível existe a dor física e é nele que os desejos e intenções mais primitivas podem ser satisfeitas e concretizadas.

É onde o embate entre o material e o espiritual se realiza em sua forma mais punjente. O vértice da parábola evolutiva, o local no qual os opostos colocam a alma em uma encruzilhada, na qual ela pode ser aprovada e ascender para os planos angelicais, ou reprovada e resetada para que reinicie toda a jornada.

Definitivamente, não se trata de um lugar de descanso. Nele, o mal predomina e se mostra com toda a sua pompa, de maneira soberba.

Engana-se quem ache que a felicidade plena possa ser conseguida nessa etapa vivencial grosseira, apesar de necessária.

Certos fratres, de outras correntes espiritualistas de pensamento, cometem o erro de posicionar o desenvolvimento das civilizações de uma maneira linear, onde as conquistas tecnológicas caminham de forma concomitante com o desenvolvimento espiritual.

Certo é que os planetas tridimensionais podem conter três tipos de civilizações: as primitivas e as avançadas cientificamente; essas últimas podem ser de índole bondosa (espiritualizada) ou malévola (humanizada e apegada ao material).

As primitivas são, quase sem excessões, arraigadas ao mal, mas tem em seu favor, o ônus cármico menor, uma vez que os tipos de indivíduos pertencentes a esse grupo, foram individualizados recentemente, e carecem ainda de vivência experimental, para que optem pelo caminho desejado. A maioria dos habitantes da Terra aqui se encaixa.

As avançadas cientificamente e espiritualizadas tendem a viver relativamente felizes em seus mundos por um longo tempo, porquanto possuem amenidades materiais que lhes conferem uma excelente qualidade de vida, bem como uma longevidade quase ilimitada. Apesar disso, não raramente são incomodadas pelas civilizações malévolas, de polarização oposta, de mesmo nível tecnológico ou superior, quer seja diretamente, ou indiretamente, quando interferem em orbes amigos ou em planetas tutelados.

Percebemos então que, mesmo para esse tipo de população, existe stress que, de certa forma, a força a sair da acomodação, evitando a estagnação, ou seja, a unipolarização. Concluímos, portanto, que a terceira dimensão não se trata de um plano de repouso e sim de luta e labuta incessante.

Ao último tipo de seres, citados como avançados cientificamente e 'humanizados', ou apegados à matéria, digamos que sejam os verdadeiros dominantes do físico. Encontram-se no plano que os apraz, pois se identificam com as emoções primitivas da dominação, da superioridade racial, da submissão alheia, do orgulho e da guerra. Não aspiram a ascenção espiritual e, por isso mesmo, tem ação limitada às terceira e quarta (astral) dimensões. Julgam-se superiores e taxam de covardes e perdedores aqueles que 'fogem' das guerras do plano físico para as dimensões mais sutis. Como encontram-se há grande tempo fiéis a esses princípios, desenvolveram tecnologia material superior aos demais povos e, inúmeras vezes, já destruiram ou ocuparam os planetas natais de outras civilizações.

Esses tipos de sociedades galácticas, como foi dito, não aspiram nada relacionado ao espiritual. Estão satisfeitas com a terceira e quartas dimensões, as quais tem livre acesso. 'São os senhores do inferno, que recusam o servilismo no céu'. Dedicam-se ao aprimoramento de seus aparatos materiais, já desenvolvidíssimos, e ao estabelecimento de planos e metas de dominação e expansão de seu império e de sua casta racial. São frios e não se importam com o sofrimento que possam causar aos outros povos.

Algumas raças bondosas, de notável avanço científico, já foram subjulgadas ou destruídas por seres dessa estirpe e nos informaram que conseguiram vitória, por meio da conquista da multidimensionalidade. Mas o que quiseram eles nos dizer com isso. Capacidade multidimensional é a que um ser tem de se expressar concretamente em qualquer um dos planos dimensionais universais básicos, ou seja, no físico, astral e mental (respectivamente as terceira, quarta e quinta dimensões).

Fratres da Conscendo, é certo que o homem deve objetivar a felicidade, mas a felicidade plena não está relacionada com o plano físico tridimensional, onde as coisas são forjadas a ferro e fogo e onde a força bruta prevalece. Para nos defendermos de maneira eficaz, deveríamos nos tornar tão maus quanto os próprios perpetradores das ofensas, o que não é viável. Não que não devemos nos defender, mas o contendor que só se defende ou foge, indubitavelmente está fadado à derrota. Se atacássemos os lares do inimigo, estaríamos, a nosso turno, efetivando as mesmas atrocidades recebidas, matando mulheres e crianças inocentes. Isso nos levaria à ruína espiritual, findando por nos tornar também adeptos da matéria. Essa seria a verdadeira derrota.

É verdade que o plano material aos adeptos da matéria pertence mas, um dia, mesmo esses cederão à irrevogável lei da evolução e alçarão vôo para a espiritualização. Essa é a verdadeira vitória que poderíamos alcançar.

O lado vencedor, indubitavelmente, é o do bem, onde reina a harmonia, paz, confiança, amizade e amor. A nossa vitória não está em subjulgá-los materialmente, mas esclarecê-los sobre o caráter ilusório do nível físico, trazendo-os para a luz. Aí realmente estaremos melhorando a terceira dimensão.

Quanto a nós, o despertar para a benfazeja multidimensionalidade, que só é possível com conhecimento, aliado à virtude e à ação, nos ajudaria muito no processo de amenização de nosso sofrimento e nos facilitaria os métodos de ação. O ativamento completo de nossos chakras nos abrirá o caminho para essa libertação e para a linha angélica de evolução, onde não mais existe dor e ignorância e onde não mais nos separaremos, por momento que seja, da nossa família evolutiva.


Quando os de bem ascenderem, alguns restarão,

Queridos irmãos órfãos, sofridos, desesperados, abandonados...

Pranteamo-vos, sem poder auxiliar-vos,

No inferno que criaram, será filho contra pai, irmão contra irmão...

Até que, cansados da guerra, cessem o rufar de vossos tambores,

Adormecendo no inebriante Pralaya, para não mais acordar.